Há uma velha história que continua a dizer muito sobre liderança.
“O rei vai nu.”
Toda a gente percebe o que está a acontecer, mas ninguém o diz em voz alta — e o próprio rei é muitas vezes o último a dar-se conta.
Nas organizações, este fenómeno aparece de uma forma mais subtil, sobretudo em momentos de maior pressão.
Quando a exigência aumenta, o cérebro tende a simplificar a forma como observa o contexto. A atenção concentra-se no que parece mais urgente — decisões, problemas, resultados — e o resto começa lentamente a sair do campo de visão. Em psicologia chama-se a isto visão em túnel.
No dia-a-dia da liderança, o efeito raramente é dramático. Pelo contrário, é quase invisível. O líder continua a decidir, continua a avançar, continua a resolver. Mas começa a fazê-lo com menos contexto do que imagina.
Entretanto surgem pequenos sinais: tensões dispersas na equipa, conversas mais reativas, uma sensação difusa de que algo no ambiente mudou.
Quase todos conseguem sentir isso.
No entanto, quando o sistema já entrou em modo de urgência, a reação natural costuma ser tentar resolver mais uma coisa, fechar mais um tema, tomar mais uma decisão e seguir para o próximo ponto da agenda.
Mais ação. Mais controlo. Mais velocidade.
E, paradoxalmente, é precisamente nesse momento que a capacidade de observar o sistema como um todo começa a desaparecer.
A verdade, muitas vezes, é que a equipa já percebeu o que está a acontecer. O clima mudou, a tensão aumentou, algo se perdeu no caminho. Mas o líder, absorvido pela pressão e pela necessidade de continuar a resolver, pode simplesmente não ver.
Não por falta de competência, mas porque quase ninguém desenvolveu verdadeiramente o hábito de criar espaço para observar antes de reagir.
Foi precisamente a pensar nesses momentos que criámos o RESET.
Um encontro presencial para líderes que reconhecem que, em certos momentos, a decisão mais estratégica não é acelerar — é parar o suficiente para voltar a ver o sistema que estão a liderar.