Estamos a entrar naquela altura do ano em que, para podermos parar, parece que primeiro temos de acelerar.

De repente, o calendário ganha uma urgência implacável. Há projetos com decisões que não podem esperar por setembro, e-mails para responder, reuniões que aparecem em cima da hora e aquela tentativa quase impossível de deixar tudo organizado antes de desligarmos o computador.

É curioso como o cérebro funciona.

Passamos meses à espera das férias e, no entanto, os dias que as antecedem acabam por ser, muitas vezes, dos mais exigentes do ano. Queremos antecipar problemas, responder ao que ainda nem aconteceu, fechar todos os assuntos pendentes e sair com a sensação de que nada ficou por fazer.

O resultado costuma ser exatamente o contrário daquilo que procurávamos: mais pressão, menos paciência, dificuldade em dormir, irritação que aparece mais depressa e a sensação de que qualquer imprevisto é a gota de água.

E, no meio desta intensidade, há uma coisa que facilmente se perde: a capacidade de reparar em nós próprios.

Continuamos a trabalhar, a resolver e a avançar, mas deixamos de notar os sinais que o corpo e a mente nos vão dando. A tensão nos ombros, a respiração mais curta, a dificuldade em concentrarmo-nos ou aquela sensação de estarmos sempre um passo atrás do que o dia exige.

Muitas vezes só damos conta quando já estamos muito perto do limite.

Talvez o descanso não comece apenas quando entramos de férias. Talvez comece no momento em que voltamos a reparar em nós próprios.

Com quanta margem — e paciência — costumas chegar ao teu último dia antes das férias?

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